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registos audiovisuais de celebrações litúrgicas na diocese de viseu
 
 
Depois de ouvirmos o Secretariado Diocesano da Liturgia e com a sua colaboração, tornamos pública a presente 'Nota Pastoral' respeitante aos registos audiovisuais de celebrações litúrgicas, na Diocese de Viseu: 

1 - É salutar o interesse e o gosto, por parte das pessoas e das famílias, de registarem e guardarem, na memória, os momentos mais importantes das suas vidas, servindo-se dos meios técnicos ao seu alcance. Estes são, hoje, muito diversificados e de fácil acesso e uso, especialmente a fotografia e o video. Não constituem excepção as celebrações litúrgicas mais marcantes dos cristãos: baptismos, matrimónios, primeiras comunhões, profissões de fé, crismas, bodas de prata, bodas de ouro, etc.. É de louvar tal atitude, que possibilita recordar e vivenciar, no tempo, tais etapas importantes.

2 - Verifica-se, entretanto, porque não é hábito generalizado entre nós, que nem sempre é fácil o diálogo e a sintonia entre os fotógrafos e operadores da imagem e os sacerdotes que presidem às celebrações, resultando daí a falta de sintonia e algumas sobreposições, que em nada contribuem para uma boa reportagem. 

3 - É notória, por parte de muitos dos profissionais da imagem e do registo de tais momentos, a preocupação em operar de forma correcta, sem atropelos e em sintonia com os celebrantes. Outros, porém, por deficiente noção do acto que registam, têm mais dificuldade num desempenho correcto da sua função, tornando-se até, nalguns casos, coordenadores do acto celebrativo.

4 - Uma das dificuldades mais sentidas é o facto de não haver, muitas vezes, naqueles que trabalham nesse âmbito, a percepção adequada  do que são os actos litúrgicos registados e do lugar sagrado onde decorrem, as igrejas, que são espaços distintos de outro qualquer lugar público. Os templos não são meros lugares "públicos", nem muito menos "estúdios fotográficos", para embelezar e enriquecer a fotografia. São, essencialmente, lugares de oração, de silêncio e de respeito.

5 - Tornou-se habitual, após a celebração religiosa, uma sessão fotográfica, tendo como pano de fundo o altar, os retábulos, o sacrário e outros espaços sagrados do templo. Tais lugares são usados, frequentemente, para ritos e gestos inadequados: assinaturas dos livros em cima da mesa do altar, posturas desapropriadas, etc.

6 - Nota-se, não poucas vezes, que os momentos mais importantes do acto celebrativo, que requerem, por isso mesmo, mais compenetração, atenção e recolhimento, são, habitualmente, os mais agitados e movimentados, desviando a atenção, quer dos intervenientes directos no acto, quer da assembleia que participa. Por outro lado, dá-se realce a momentos pouco importantes da celebração, em detrimento de outros ritos e gestos fundamentais. Nem todos os ritos têm o mesmo valor litúrgico.

7 - Constata-se também que, em certas celebrações, são diversos os operadores, o material usado é tanto e tão espalhado pelo espaço litúrgico (fios, tripés, focos, câmaras, etc.) que dificultam a percepção e a centralidade do religioso. Tal constitui, para a assembleia, um motivo de distracção e dificulta, quer a qualidade do registo, quer a qualidade da celebração.

8 - Perante isto e para que os actos litúrgicos tenham a dignidade que merecem, o espaço sagrado do templo seja respeitado e a cobertura audiovisual ajude verdadeiramente a fazer memória do que são os momentos importantes da celebração:

> haja contacto prévio entre os operadores de audiovisuais e os párocos (ou outros responsáveis) das igrejas onde os actos litúrgicos se vão realizar, bem como a autorização expressa, por parte destes;

> seja um só o operador (e ajudante, se for caso disso) em cada celebração, que actue com discrição e dignidade;

> se escolha previamente o lugar que o operador deve ocupar, de modo a evitar deslocações desnecessárias e ruídos. Não devem atravessar o altar, nem circundá-lo, nem muito menos colocar-se entre o presidente da celebração e a assembleia;

> evitem os operadores, durante o acto celebrativo, suscitar e indicar poses artificiais àqueles que estão a ser fotografados ou filmados (noivos ou outros); 

> se houver necessidade de colocação de focos ou ligações eléctricas, seja previamente estudada a melhor forma e de acordo com o pároco ou celebrante; 

> a substituição de rolos ou filmes - ou de outros apetrechos - seja feita de modo a não causar ruído nem distracção;

> em caso algum, se simule um gesto ou um rito litúrgico; 

> após o acto litúrgico, a assinatura dos livros e uma ou outra foto ou imagem no interior do templo, considera-se concluída a função do operador, no que respeita à celebração litúrgica;

> os noivos e os pais (nos baptismos e festas litúrgicas com crianças) deverão tomar conhecimento destas orientações, para melhor coordenarem os contratos com os fotógrafos;

> estas disposições entrarão em vigor, a partir de agora, em toda a Diocese de Viseu.

Viseu, 21 de Outubro de 2001
+ António Monteiro, Bispo de Viseu